Primeira condenação de Geddel está a caminho

Condenação à vista

Por Carlos Nascimento 09/02/2018 - 07:38

Ministério Público Federal entrega suas alegações finais na acusação de obstrução de Justiça no episódio com o operador Lúcio Funaro.
Ao serem revelados os primeiros detalhes da delação premiada de executivos do grupo J&F, Geddel passou a pressionar a esposa de Funaro, Raquel Pitta, para garantir que o doleiro não firmasse um acordo de colaboração com as operações Cui Bono e Sépsis e, assim, entregasse a cúpula do MDB.

Geddel deve entregar a defesa final na semana que vem. Pode resultar daí sua primeira condenação. Ao lado de Eduardo Cunha, o ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer está cercado pelas provas.
Além dos depoimentos dos ameaçados, há prints de mensagens e comprovantes das ligações em que Geddel daria a entender que o esquema de silêncio pago pela J&F de Funaro e Cunha continuariam de outra forma.

Na terça-feira, o emedebista prestou depoimento ao juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, mas não respondeu às questões dos investigadores. “Falei algumas vezes com a senhora [Raquel]. Posso dizer que estes telefonemas amigáveis devem ter lhe feito bem”, disse. “Me coloquei a ajudar, eram ligações humanitárias”.

Não bastasse chamar o suposto achaque de “ligações humanitárias”, o ex-ministro deu a entender que está ressentido com os colegas de partido. “Amigos de longa data me lançaram ao degredo, ao Vale dos Leprosos”. Além de se enrolar com a história dos telefonemas, é de Geddel o dinheiro (e as digitais nas notas) no notório apartamento em Salvador, que abrigava 51 milhões de reais em dinheiro vivo e tornou-se imagem que rodou o mundo como símbolo de corrupção. Dos colegas, não houve um pio em sua defesa.

Geddel é conhecido pela personalidade impulsiva e impaciente. A indisposição pública com o PMDB pode resultar em vingança. Está na moda se vingar contando tudo o que sabe. Com trânsito no Congresso e no Executivo desde o início dos anos 90, não faltará informação. Se um dos nomes mais próximos do presidente Michel Temer decidir falar, as bases políticas de Brasília vão tremer.