Alianças espúrias

A política brasileira a partir do golpe, com raríssimas exceções, não passa de um balaio de gatos - e ratos -, quadrilhas organizadas e unidas

Alianças espúrias

Caráter, vergonha, coerência, decência, respeito, são palavras que a política brasileira desconhece e por isso perde a credibilidade entre os eleitores mais esclarecidos, o que não ocorre com o eterno gado acostumado a encher a barriga com migalhas ou restos de comida suficientes para mitigar a fome.

No caso do PDT, hoje de mãos dadas com o DEM, configura-se uma excrescência que macula o passado do trabalhismo brasileiro, tendo em Leonel de Moura Brizola sua figura maior, assim como o grande educador Darcy Ribeiro, os quais, se estivessem entre nós, jamais permitiriam tais descalabros. Devem se contorcer nos túmulos.

Vale ressaltar que filiei-me ao partido no início da década de 90, em companhia de Waldyr Pires, época em que ainda existia respeito à ideologia. Diz o ditado que rei morto, rei posto, mas um pouco de vergonha na cara não faz mal a ninguém. A história política brasileira há de registrar em breve não somente os elementos motivadores da aliança espúria, como também identificar seus idealizadores, aplicando-lhes as sanções morais pertinentes, em defesa dos princípios ideológicos que norteiam a prática da democracia. A política brasileira a partir do golpe, com raríssimas exceções, não passa de um balaio de gatos - e ratos -, quadrilhas organizadas e unidas em prol dos interesses do capitalismo predatório estadunidense, pouco importando a completa destruição da nossa economia.

Sinto um misto de vergonha e asco quando vejo o clone de Fulgêncio Batista batendo continência à bandeira do patrão.

Em novembro, se Deus quiser, tudo isso será coisa do passado.

Jorge Braga Barretto

E-mail: jbbarretto@gmail.com