Assédio Moral no Trabalho, o que fazer?

Por Telma Lino 10/03/2018 - 16:40

Conduta abusiva
No mundo capitalista em que vivemos, no qual a competitividade e a produtividade ditam as regras, quase não há espaço para qualidade de vida e respeito ao nosso semelhante, isso também se reflete no ambiente de trabalho.

Em verdade, ser cidadão é conhecer os nossos direitos e deveres, para que possamos exercê-lo sempre que necessário.

Portanto, gostaríamos de socializar o pouco que conhecemos sobre o tema Assédio Moral, que embora seja muito abordado, continua fazendo vítimas diariamente.

O Assédio Moral constitui em “toda e qualquer conduta abusiva” (gesto, palavra, escritos, comportamento, atitude, etc.) que, de forma intencional e frequente, gera ameaças veladas ou abertas que por sua vez acabam colocando em risco o emprego daqueles que desempenham suas funções de forma integra e sem “puxa-saquismos”.  

A verdade é que  milhares de brasileiros são vítimas diariamente desse tipo de assédio, e em sua grande maioria acabam “deixando para lá”; infelizmente, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o problema  está longe de ser resolvido; contudo é somente através de ações preventivas que poderemos garantir o respeito ao ser humano e preservar sua dignidade; já que respeito à hierarquia nunca foi sinônimo de subserviência.

Entretanto na prática, o acesso aos melhores cargos no aparelho do Estado, em algumas empresas públicas ou privadas,  independem de fatores como  competência, experiência, tempo de serviço ou da hierarquia propriamente dita, estes perpassam apenas pela questão da confiança ou simplesmente os chamados “cargos de confiança”.

Mudar essa realidade compete a cada um de nós, vítimas ou observadores de tal comportamento recorrente no ambiente de trabalho.

Para dar inicio a tal mudança, é necessário identificar se você mesmo ou alguém que conheça está sendo vítima de assédio moral, segundo o MTE, as principais características são:

• Ameaças, insultos, isolamento;

• Revista vexatória;

• Sobrecarga de tarefas;

• Atribuir erros imaginários ao trabalhador;

• Exigir, sem necessidade, trabalhos urgentes;

• Ignorar a presença do trabalhador ou não cumprimentá-lo ou, ainda não lhe dirigir a palavra deliberadamente;

• Fazer críticas ou brincadeiras de mau gosto ao trabalhador em público ou individualmente;

• Impor horários injustificados, entre outros.

Diante do diagnostico anterior, o que fazer?

• Primeiro, tomando conhecimento que ele existe e você pode estar sendo vítima nesse exato momento;

• Fazer parte de Associações ou Sindicatos que defendam de fato os seus interesses e de seus colegas;

• Procurar um advogado para cuidar do assunto em caso de persistir ou até mesmo gerar demissão;

• Constituir provas que tal fato vem ocorrendo;

• Procurar a  Justiça para fazer valer seus direitos; nesse caso até a Imprensa pode ajudar  a solucionar o problema.

É de fundamental importância não se esqueça de que as pessoas que agem dessa forma truculenta, arrogante e preconceituosa, não estão “acima do bem e do mal”, pois nada justifica tratar de forma diferente os iguais.

Portanto aprenda a se defender e passe essas informações adiante, afinal de contas vivemos num país cujo regime é democrático de direito e temos a obrigação de fazer valer o que está na Lei.
Por: Telma Lino - Escrivã de Polícia Civil
Bibliografia: www.mte.gov.br (Ministério do Trabalho e Emprego).