Voto Feminino

Por Telma Lino 10/03/2018 - 16:35

Mulheres no Poder Político: Uma história em construção
Por: Nanci Lino e Telma Lino

O voto feminino há muito representa um marco na história da luta pelos direitos civis no Brasil; contudo embora passados oitenta e dois anos, desde a aprovação do voto feminino, Lei que permitiu às mulheres brasileiras o acesso ao sufrágio universal, quer seja, tanto o direito de votar em seus representantes como também o de ser votada; infelizmente não assegurou às mesmas uma maior representatividade política, isto, muito embora tenhamos elegido uma mulher para ocupar o cargo de presidente do Brasil, Na prática, ainda permanece a disparidade entre os gêneros, evidenciando a constante exclusão desse segmento populacional no campo da Política.

Este fato tem inspirado os movimentos, social e feminista, na construção de estratégias que assegurem a manutenção e ampliação da representação feminina nos espaços de poder e de outros projetos de emancipação da mulher.

Embora tenha sido instituído o sistema de cotas assegurando a presença das mulheres nos partidos políticos brasileiros, as mesmas continuam passando por um processo de pseudo-integração, que as coloca à margem da participação sócio-político-econômica de fato; isto ocorre porque as relações sociais estabelecidas em nossa sociedade estão balizadas por uma cultura patriarcal que se associa a um caráter racista e sexista.

Os obstáculos para as mulheres que ingressam no mundo da política são muitos. Além dos preconceitos, há fatores objetivos, por exemplo, as condições financeiras, já que as mulheres tendem a ganhar menos e, por conseguinte possuir renda menor que a dos homens, ou a própria divisão sexual do trabalho, que implica carga maior de obrigações e tempo de trabalho para as mulheres. 

No caso brasileiro, a sofrível representatividade das mulheres ocupando vagas no Legislativo e o lento avanço em direção a uma situação mais igualitária vem sendo criticada por organismos internacionais, a exemplo da União Interparlamentar (UIP), ainda no que tange a América Latina, segundo dados da pesquisadora Clara Araújo, o Brasil ocupa o 142º, ultimo lugar no nível de participação política feminina.

Diante desse quadro, faz-se necessário um maior investimento e comprometimento do governo em iniciativas capazes de apoiar e estimular o ingresso de mulheres em todas as esferas decisórias, procurando, dessa forma, aproximar homens e mulheres de uma situação de equilíbrio no exercício do poder político.
BIBLIOGRAFIA
ALVES, Branca Moreira. Ideologia e feminismo: a luta da mulher pelo voto no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980.
ARAÚJO, Clara. .Analisando os resultados eleitorais: a presença das mulheres no legislativo . antes e depois das cotas. In: Cidadania: o impacto da Lei de Cotas sobre a representação política das mulheres no Brasil. Rio de Janeiro: UERJ, 1999.
SARACENO, Chiara. .A dependência construída e a interdependência negada. Estruturas de gênero da cidadania..In: Bonacchi, Gabriella e Groppi, Angela (o
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