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Roberto Requião, o bélico: “Queriam me enterrar. Não conseguiram.”

Roberto Requião, o bélico: “Queriam me enterrar. Não conseguiram.” Ex-governador do Paraná reclama do câmbio flutuante, da Petrobras, de Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e José Dirceu. Largou o PT e, aos 83 anos, tenta se reinventar no Mobiliza, um partido nanico da centro-direita. “Queriam me enterrar. Não conseguiram.” LEIA NA ÍNTEGRA..

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: piaui.folha.uol.com.br/
23/04/2024 às 21h00 Atualizada em 23/04/2024 às 21h23
Roberto Requião, o bélico: “Queriam me enterrar. Não conseguiram.”

Em janeiro de 2023, Roberto Requião recebeu um telefonema de Lula. O presidente recém-empossado disse que gostaria de conversar com ele, em Brasília, para discutir políticas voltadas ao Paraná. “Diga quando”, respondeu prontamente o ex-governador. Lula não cravou uma data; ficou de marcar. O encontro nunca aconteceu, e os dois não voltaram a se falar.

Dias depois, Gleisi Hoffmann o procurou. Segundo Requião, a presidente do PT lhe ofereceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Itaipu Binacional, empresa que gere a usina hidrelétrica de Itaipu. O salário era de 27 mil reais. “Eu mandei à puta que o pariu”, relembra Requião. “Eu quero ver o país transformado. Eu não tô atrás de emprego, rapaz.”

O ex-governador recorre a esses dois episódios para explicar como começou seu amargor com o PT, que culminou em sua desfiliação, no último dia 27 de março. Sentiu-se destratado. Mas o que fez o pote de mágoas entornar foi uma discordância de ordem mais prática. Requião, ao lado de outros petistas paranaenses, defendia que o partido lançasse candidato a prefeito de Curitiba nas eleições de outubro deste ano. Os deputados federais Zeca Dirceu e Carol Dartora, assim como o advogado Felipe Mongruel, conhecido como Magal, manifestaram interesse na disputa.

Outra ala do PT, no entanto, quer apoiar Luciano Ducci (PSB), deputado federal que foi vice-prefeito de Beto Richa (PSDB) e assumiu o comando da cidade em 2010. Em março, a Executiva Nacional do PT informou os paranaenses que a decisão sobre a eleição em Curitiba seria tomada pelo diretório nacional. Hoffmann disse à imprensa, na mesma semana, que o mais provável era que o partido apoiasse Ducci. O ex-prefeito aparece bem colocado em pesquisas recentes, ela argumentou – e, além do mais, foi “um pedido do PSB Nacional”.

O martelo ainda não foi batido. Segundo petistas ouvidos pela piauí, contudo, o apoio a Ducci é quase certo. Combinam-se apenas os pormenores. A cúpula do PT provavelmente calcula que as chances de eleger um petista em Curitiba, berço da Operação Lava Jato, são mínimas.

Requião achou que a decisão da Executiva Nacional era um acinte. Inconformado, anunciou que estava de saída do PT – partido ao qual se filiara havia dois anos, depois de quatro décadas no MDB. Dias mais tarde, causou surpresa geral ao se filiar ao Mobilização Nacional (Mobiliza), partido nanico que até 2021 se chamava PMN e se identifica com o ideário da centro-direita.

Em janeiro de 2023, Roberto Requião recebeu um telefonema de Lula. O presidente recém-empossado disse que gostaria de conversar com ele, em Brasília, para discutir políticas voltadas ao Paraná. “Diga quando”, respondeu prontamente o ex-governador. Lula não cravou uma data; ficou de marcar. O encontro nunca aconteceu, e os dois não voltaram a se falar.

Dias depois, Gleisi Hoffmann o procurou. Segundo Requião, a presidente do PT lhe ofereceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Itaipu Binacional, empresa que gere a usina hidrelétrica de Itaipu. O salário era de 27 mil reais. “Eu mandei à puta que o pariu”, relembra Requião. “Eu quero ver o país transformado. Eu não tô atrás de emprego, rapaz.”

O ex-governador recorre a esses dois episódios para explicar como começou seu amargor com o PT, que culminou em sua desfiliação, no último dia 27 de março. Sentiu-se destratado. Mas o que fez o pote de mágoas entornar foi uma discordância de ordem mais prática. Requião, ao lado de outros petistas paranaenses, defendia que o partido lançasse candidato a prefeito de Curitiba nas eleições de outubro deste ano. Os deputados federais Zeca Dirceu e Carol Dartora, assim como o advogado Felipe Mongruel, conhecido como Magal, manifestaram interesse na disputa.

Outra ala do PT, no entanto, quer apoiar Luciano Ducci (PSB), deputado federal que foi vice-prefeito de Beto Richa (PSDB) e assumiu o comando da cidade em 2010. Em março, a Executiva Nacional do PT informou os paranaenses que a decisão sobre a eleição em Curitiba seria tomada pelo diretório nacional. Hoffmann disse à imprensa, na mesma semana, que o mais provável era que o partido apoiasse Ducci. O ex-prefeito aparece bem colocado em pesquisas recentes, ela argumentou – e, além do mais, foi “um pedido do PSB Nacional”.

O martelo ainda não foi batido. Segundo petistas ouvidos pela piauí, contudo, o apoio a Ducci é quase certo. Combinam-se apenas os pormenores. A cúpula do PT provavelmente calcula que as chances de eleger um petista em Curitiba, berço da Operação Lava Jato, são mínimas.

Requião achou que a decisão da Executiva Nacional era um acinte. Inconformado, anunciou que estava de saída do PT – partido ao qual se filiara havia dois anos, depois de quatro décadas no MDB. Dias mais tarde, causou surpresa geral ao se filiar ao Mobilização Nacional (Mobiliza), partido nanico que até 2021 se chamava PMN e se identifica com o ideário da centro-direita.

Requião diz que nunca impôs ao PT sua candidatura a prefeito de Curitiba. Desconversa quando questionado. Mas, tão logo se alojou no novo partido, se colocou como possível candidato. “O Mobiliza é um partido pequeníssimo. Não tem fundo partidário nem espaço em televisão”, reconhece o ex-governador, que conta ter esperado – em vão – o convite de legendas mais estruturadas e de centro-esquerda, como o PDT. “Queriam me cancelar como político. Se eu não me filiasse, teriam conseguido. Mas não me enterraram. Nem eu, nem minhas ideias.”

Junto às frustrações pessoais, afloraram críticas ao governo Lula. Ao receber a piauí em sua casa em Curitiba, no começo de abril, Requião, um nacionalista puro-sangue, reclamou da gestão da Petrobras, defendeu a reestatização da Eletrobras (privatizada no governo de Jair Bolsonaro) e se disse muito irritado com as concessões do governo à agenda liberal. “O [ministro Fernando] Haddad é incapaz de comprar um hambúrguer com dinheiro público. É um cara sério. Mas é liberal. Saiu da USP e foi trabalhar com o [economista] Marcos Lisboa, no Insper. A cabeça dele é essa. Tá errado!”, reclamou o ex-governador. “O mercado acha uma maravilha…”

Em janeiro de 2023, Roberto Requião recebeu um telefonema de Lula. O presidente recém-empossado disse que gostaria de conversar com ele, em Brasília, para discutir políticas voltadas ao Paraná. “Diga quando”, respondeu prontamente o ex-governador. Lula não cravou uma data; ficou de marcar. O encontro nunca aconteceu, e os dois não voltaram a se falar.

Dias depois, Gleisi Hoffmann o procurou. Segundo Requião, a presidente do PT lhe ofereceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Itaipu Binacional, empresa que gere a usina hidrelétrica de Itaipu. O salário era de 27 mil reais. “Eu mandei à puta que o pariu”, relembra Requião. “Eu quero ver o país transformado. Eu não tô atrás de emprego, rapaz.”

O ex-governador recorre a esses dois episódios para explicar como começou seu amargor com o PT, que culminou em sua desfiliação, no último dia 27 de março. Sentiu-se destratado. Mas o que fez o pote de mágoas entornar foi uma discordância de ordem mais prática. Requião, ao lado de outros petistas paranaenses, defendia que o partido lançasse candidato a prefeito de Curitiba nas eleições de outubro deste ano. Os deputados federais Zeca Dirceu e Carol Dartora, assim como o advogado Felipe Mongruel, conhecido como Magal, manifestaram interesse na disputa.

Outra ala do PT, no entanto, quer apoiar Luciano Ducci (PSB), deputado federal que foi vice-prefeito de Beto Richa (PSDB) e assumiu o comando da cidade em 2010. Em março, a Executiva Nacional do PT informou os paranaenses que a decisão sobre a eleição em Curitiba seria tomada pelo diretório nacional. Hoffmann disse à imprensa, na mesma semana, que o mais provável era que o partido apoiasse Ducci. O ex-prefeito aparece bem colocado em pesquisas recentes, ela argumentou – e, além do mais, foi “um pedido do PSB Nacional”.

O martelo ainda não foi batido. Segundo petistas ouvidos pela piauí, contudo, o apoio a Ducci é quase certo. Combinam-se apenas os pormenores. A cúpula do PT provavelmente calcula que as chances de eleger um petista em Curitiba, berço da Operação Lava Jato, são mínimas.

Requião achou que a decisão da Executiva Nacional era um acinte. Inconformado, anunciou que estava de saída do PT – partido ao qual se filiara havia dois anos, depois de quatro décadas no MDB. Dias mais tarde, causou surpresa geral ao se filiar ao Mobilização Nacional (Mobiliza), partido nanico que até 2021 se chamava PMN e se identifica com o ideário da centro-direita.

Requião diz que nunca impôs ao PT sua candidatura a prefeito de Curitiba. Desconversa quando questionado. Mas, tão logo se alojou no novo partido, se colocou como possível candidato. “O Mobiliza é um partido pequeníssimo. Não tem fundo partidário nem espaço em televisão”, reconhece o ex-governador, que conta ter esperado – em vão – o convite de legendas mais estruturadas e de centro-esquerda, como o PDT. “Queriam me cancelar como político. Se eu não me filiasse, teriam conseguido. Mas não me enterraram. Nem eu, nem minhas ideias.”

Junto às frustrações pessoais, afloraram críticas ao governo Lula. Ao receber a piauí em sua casa em Curitiba, no começo de abril, Requião, um nacionalista puro-sangue, reclamou da gestão da Petrobras, defendeu a reestatização da Eletrobras (privatizada no governo de Jair Bolsonaro) e se disse muito irritado com as concessões do governo à agenda liberal. “O [ministro Fernando] Haddad é incapaz de comprar um hambúrguer com dinheiro público. É um cara sério. Mas é liberal. Saiu da USP e foi trabalhar com o [economista] Marcos Lisboa, no Insper. A cabeça dele é essa. Tá errado!”, reclamou o ex-governador. “O mercado acha uma maravilha…”

Lula não tem sequer um ministro progressista, cravou Requião. Mas e Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial? “Nem sei quem é Anielle Franco”, respondeu, emendando: “Ah, a irmã da Marielle? Você tá brincando. Ela não tem estrutura de pensamento econômico para um projeto nacional. Tá no identitarismo. O identitarismo é um atraso.” Depois contemporizou: discussões sobre raça e gênero são importantes, disse, mas não podem ser impostas “por decreto”.

Em janeiro de 2023, Roberto Requião recebeu um telefonema de Lula. O presidente recém-empossado disse que gostaria de conversar com ele, em Brasília, para discutir políticas voltadas ao Paraná. “Diga quando”, respondeu prontamente o ex-governador. Lula não cravou uma data; ficou de marcar. O encontro nunca aconteceu, e os dois não voltaram a se falar.

Dias depois, Gleisi Hoffmann o procurou. Segundo Requião, a presidente do PT lhe ofereceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Itaipu Binacional, empresa que gere a usina hidrelétrica de Itaipu. O salário era de 27 mil reais. “Eu mandei à puta que o pariu”, relembra Requião. “Eu quero ver o país transformado. Eu não tô atrás de emprego, rapaz.”

O ex-governador recorre a esses dois episódios para explicar como começou seu amargor com o PT, que culminou em sua desfiliação, no último dia 27 de março. Sentiu-se destratado. Mas o que fez o pote de mágoas entornar foi uma discordância de ordem mais prática. Requião, ao lado de outros petistas paranaenses, defendia que o partido lançasse candidato a prefeito de Curitiba nas eleições de outubro deste ano. Os deputados federais Zeca Dirceu e Carol Dartora, assim como o advogado Felipe Mongruel, conhecido como Magal, manifestaram interesse na disputa.

Outra ala do PT, no entanto, quer apoiar Luciano Ducci (PSB), deputado federal que foi vice-prefeito de Beto Richa (PSDB) e assumiu o comando da cidade em 2010. Em março, a Executiva Nacional do PT informou os paranaenses que a decisão sobre a eleição em Curitiba seria tomada pelo diretório nacional. Hoffmann disse à imprensa, na mesma semana, que o mais provável era que o partido apoiasse Ducci. O ex-prefeito aparece bem colocado em pesquisas recentes, ela argumentou – e, além do mais, foi “um pedido do PSB Nacional”.

O martelo ainda não foi batido. Segundo petistas ouvidos pela piauí, contudo, o apoio a Ducci é quase certo. Combinam-se apenas os pormenores. A cúpula do PT provavelmente calcula que as chances de eleger um petista em Curitiba, berço da Operação Lava Jato, são mínimas.

Requião achou que a decisão da Executiva Nacional era um acinte. Inconformado, anunciou que estava de saída do PT – partido ao qual se filiara havia dois anos, depois de quatro décadas no MDB. Dias mais tarde, causou surpresa geral ao se filiar ao Mobilização Nacional (Mobiliza), partido nanico que até 2021 se chamava PMN e se identifica com o ideário da centro-direita.

Requião diz que nunca impôs ao PT sua candidatura a prefeito de Curitiba. Desconversa quando questionado. Mas, tão logo se alojou no novo partido, se colocou como possível candidato. “O Mobiliza é um partido pequeníssimo. Não tem fundo partidário nem espaço em televisão”, reconhece o ex-governador, que conta ter esperado – em vão – o convite de legendas mais estruturadas e de centro-esquerda, como o PDT. “Queriam me cancelar como político. Se eu não me filiasse, teriam conseguido. Mas não me enterraram. Nem eu, nem minhas ideias.”

Junto às frustrações pessoais, afloraram críticas ao governo Lula. Ao receber a piauí em sua casa em Curitiba, no começo de abril, Requião, um nacionalista puro-sangue, reclamou da gestão da Petrobras, defendeu a reestatização da Eletrobras (privatizada no governo de Jair Bolsonaro) e se disse muito irritado com as concessões do governo à agenda liberal. “O [ministro Fernando] Haddad é incapaz de comprar um hambúrguer com dinheiro público. É um cara sério. Mas é liberal. Saiu da USP e foi trabalhar com o [economista] Marcos Lisboa, no Insper. A cabeça dele é essa. Tá errado!”, reclamou o ex-governador. “O mercado acha uma maravilha…”

Lula não tem sequer um ministro progressista, cravou Requião. Mas e Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial? “Nem sei quem é Anielle Franco”, respondeu, emendando: “Ah, a irmã da Marielle? Você tá brincando. Ela não tem estrutura de pensamento econômico para um projeto nacional. Tá no identitarismo. O identitarismo é um atraso.” Depois contemporizou: discussões sobre raça e gênero são importantes, disse, mas não podem ser impostas “por decreto”.

Uma das mágoas mais recentes é com José Dirceu. Estranhou-se com o ex-todo-poderoso petista durante a campanha, em 2022. Requião foi candidato a governador em oposição a Ratinho Junior (PSD). Terminou em segundo lugar, com 1,6 milhão de votos; Junior se reelegeu em primeiro turno com 4,2 milhões. A vitória do adversário era tão previsível que parte do PT, já pensando no dia seguinte à eleição, se aproximou de Junior, que é filho do apresentador de tevê Ratinho. Requião atribui essa aproximação a Dirceu. “O Dirceu almoçou comigo e jantou com o Ratinho [Jr.]”, lamenta o ex-governador. “Nunca mais falei com ele.”

Gleisi Hoffmann, sua conterrânea, publicou uma nota lamentando a desfiliação de Requião, mas também as “críticas injustas” que ele fez ao governo Lula. Procurada pela piauí para comentar as declarações do ex-governador e a suposta vaga na Itaipu Binacional, ela não respondeu. Fernando Haddad e José Dirceu também não retornaram os contatos da reportagem.

Aos 83 anos, Requião passa a maior parte do tempo em casa, no bairro Bigorrilho, em Curitiba, onde mora com a mulher, Maristela, e dois cães da raça maremano abruzzi – eles foram presente de Carlos Lessa e Darc Costa, ex-presidente e ex-vice presidente do BNDES. O ex-governador conversa em tom professoral, com voz grave e sotaque carregado. Apesar do diploma em jornalismo, não é afável com repórteres. Certa vez, em 2011, arrancou o gravador das mãos de um jornalista da Rádio Bandeirantes e apagou a entrevista que concedera a ele.

Em janeiro de 2023, Roberto Requião recebeu um telefonema de Lula. O presidente recém-empossado disse que gostaria de conversar com ele, em Brasília, para discutir políticas voltadas ao Paraná. “Diga quando”, respondeu prontamente o ex-governador. Lula não cravou uma data; ficou de marcar. O encontro nunca aconteceu, e os dois não voltaram a se falar.

Dias depois, Gleisi Hoffmann o procurou. Segundo Requião, a presidente do PT lhe ofereceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Itaipu Binacional, empresa que gere a usina hidrelétrica de Itaipu. O salário era de 27 mil reais. “Eu mandei à puta que o pariu”, relembra Requião. “Eu quero ver o país transformado. Eu não tô atrás de emprego, rapaz.”

O ex-governador recorre a esses dois episódios para explicar como começou seu amargor com o PT, que culminou em sua desfiliação, no último dia 27 de março. Sentiu-se destratado. Mas o que fez o pote de mágoas entornar foi uma discordância de ordem mais prática. Requião, ao lado de outros petistas paranaenses, defendia que o partido lançasse candidato a prefeito de Curitiba nas eleições de outubro deste ano. Os deputados federais Zeca Dirceu e Carol Dartora, assim como o advogado Felipe Mongruel, conhecido como Magal, manifestaram interesse na disputa.

Outra ala do PT, no entanto, quer apoiar Luciano Ducci (PSB), deputado federal que foi vice-prefeito de Beto Richa (PSDB) e assumiu o comando da cidade em 2010. Em março, a Executiva Nacional do PT informou os paranaenses que a decisão sobre a eleição em Curitiba seria tomada pelo diretório nacional. Hoffmann disse à imprensa, na mesma semana, que o mais provável era que o partido apoiasse Ducci. O ex-prefeito aparece bem colocado em pesquisas recentes, ela argumentou – e, além do mais, foi “um pedido do PSB Nacional”.

O martelo ainda não foi batido. Segundo petistas ouvidos pela piauí, contudo, o apoio a Ducci é quase certo. Combinam-se apenas os pormenores. A cúpula do PT provavelmente calcula que as chances de eleger um petista em Curitiba, berço da Operação Lava Jato, são mínimas.

Requião achou que a decisão da Executiva Nacional era um acinte. Inconformado, anunciou que estava de saída do PT – partido ao qual se filiara havia dois anos, depois de quatro décadas no MDB. Dias mais tarde, causou surpresa geral ao se filiar ao Mobilização Nacional (Mobiliza), partido nanico que até 2021 se chamava PMN e se identifica com o ideário da centro-direita.

Requião diz que nunca impôs ao PT sua candidatura a prefeito de Curitiba. Desconversa quando questionado. Mas, tão logo se alojou no novo partido, se colocou como possível candidato. “O Mobiliza é um partido pequeníssimo. Não tem fundo partidário nem espaço em televisão”, reconhece o ex-governador, que conta ter esperado – em vão – o convite de legendas mais estruturadas e de centro-esquerda, como o PDT. “Queriam me cancelar como político. Se eu não me filiasse, teriam conseguido. Mas não me enterraram. Nem eu, nem minhas ideias.”

Junto às frustrações pessoais, afloraram críticas ao governo Lula. Ao receber a piauí em sua casa em Curitiba, no começo de abril, Requião, um nacionalista puro-sangue, reclamou da gestão da Petrobras, defendeu a reestatização da Eletrobras (privatizada no governo de Jair Bolsonaro) e se disse muito irritado com as concessões do governo à agenda liberal. “O [ministro Fernando] Haddad é incapaz de comprar um hambúrguer com dinheiro público. É um cara sério. Mas é liberal. Saiu da USP e foi trabalhar com o [economista] Marcos Lisboa, no Insper. A cabeça dele é essa. Tá errado!”, reclamou o ex-governador. “O mercado acha uma maravilha…”

Lula não tem sequer um ministro progressista, cravou Requião. Mas e Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial? “Nem sei quem é Anielle Franco”, respondeu, emendando: “Ah, a irmã da Marielle? Você tá brincando. Ela não tem estrutura de pensamento econômico para um projeto nacional. Tá no identitarismo. O identitarismo é um atraso.” Depois contemporizou: discussões sobre raça e gênero são importantes, disse, mas não podem ser impostas “por decreto”.

Uma das mágoas mais recentes é com José Dirceu. Estranhou-se com o ex-todo-poderoso petista durante a campanha, em 2022. Requião foi candidato a governador em oposição a Ratinho Junior (PSD). Terminou em segundo lugar, com 1,6 milhão de votos; Junior se reelegeu em primeiro turno com 4,2 milhões. A vitória do adversário era tão previsível que parte do PT, já pensando no dia seguinte à eleição, se aproximou de Junior, que é filho do apresentador de tevê Ratinho. Requião atribui essa aproximação a Dirceu. “O Dirceu almoçou comigo e jantou com o Ratinho [Jr.]”, lamenta o ex-governador. “Nunca mais falei com ele.”

Gleisi Hoffmann, sua conterrânea, publicou uma nota lamentando a desfiliação de Requião, mas também as “críticas injustas” que ele fez ao governo Lula. Procurada pela piauí para comentar as declarações do ex-governador e a suposta vaga na Itaipu Binacional, ela não respondeu. Fernando Haddad e José Dirceu também não retornaram os contatos da reportagem.

Aos 83 anos, Requião passa a maior parte do tempo em casa, no bairro Bigorrilho, em Curitiba, onde mora com a mulher, Maristela, e dois cães da raça maremano abruzzi – eles foram presente de Carlos Lessa e Darc Costa, ex-presidente e ex-vice presidente do BNDES. O ex-governador conversa em tom professoral, com voz grave e sotaque carregado. Apesar do diploma em jornalismo, não é afável com repórteres. Certa vez, em 2011, arrancou o gravador das mãos de um jornalista da Rádio Bandeirantes e apagou a entrevista que concedera a ele.

Ao receber a piauí, aparentava bom humor. “Maristela, esse é o bandido que veio me entrevistar”, disse, em tom de galhofa, quando a mulher chegou em casa. Fez outras provocações. “Você é filiado ao PT?”, perguntou ao repórter, no meio da conversa. Diante da negativa, replicou: “Essa revista sua é petista.” Por que acha isso? “Porque não sou idiota.”

Requião é curitibano e se orgulha do fato de sua família ter raízes antigas na política. Gosta de contar que seu bisavô, Justiniano de Mello e Silva, foi um dos fundadores do Partido Socialista Operário do Brasil, em 1890. Garante que seu trisavô, José Félix de Mello e Siva, foi lugar-tenente de Frei Caneca, mártir da Confederação do Equador – república separatista fundada em Pernambuco em 1824 e desmantelada pelo Império depois de alguns meses.

Quando cursava o ensino médio – antigo colegial –, Requião se aproximou do movimento estudantil. Continuou na militância como universitário (ele se formou em jornalismo) e, durante a ditadura, chegou a ser preso e fichado pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), que o categorizou como “comunista”, com “tendência esquerdista” e apoiador de greves.

Defendendo o “MDB velho de guerra” – como repetia nas campanhas, feito um bordão – foi eleito deputado estadual e prefeito de Curitiba ainda nos anos 1980. Depois foi governador (por três mandatos) e senador (por dois). Sua última passagem por Brasília terminou em 2019. Não conseguiu se reeleger para o Senado e, desde então, não voltou a ocupar um cargo público.

Deixou o MDB em 2021, depois de ser derrotado na disputa pelo comando do partido no Paraná. “Era um partido progressista que, com o tempo e com as mudanças na política, se transformou num mercado. Quando eu saí, estava apoiando o Bolsonaro. Eu não podia aceitar isso.” O convite do PT veio naturalmente, pouco tempo depois. Requião sempre esteve à esquerda das posições majoritárias do MDB. No primeiro governo Lula, criticava a política econômica de Henrique Meirelles e Antônio Palocci. Depois, contrariando a maioria de seu partido, que se entregou ao conspiracionismo, Requião foi contra o impeachment de Dilma Rousseff. Visitou Lula quando o petista esteve preso em Curitiba, entre 2018 e 2019, e frequentou a Vigília Lula Livre. Fez sucesso uma de suas declarações na época: “Lula é culpado pela sua inocência.”

Em 2022, entrou para o PT com deferências. A cerimônia de filiação foi um evento político disputado, que reuniu centenas de correligionários em Curitiba, em março daquele ano. O próprio Lula compareceu – foi sua primeira visita à capital paranaense desde que deixou a carceragem da Polícia Federal. No ato de filiação, além de enaltecer o novo quadro do partido, ele mencionou “puxões de orelha” que tinha levado de Requião (segundo o ex-governador, eram apenas discordâncias sobre como o petista, caso eleito, deveria conduzir as empresas estatais).

“Eu não ia entrar no partido. Mas o pessoal insistiu, o Lula acabou conversando comigo e veio fazer a minha filiação”, diz Requião, que se filiou junto de seu filho Maurício Thadeu – mais conhecido como Requião Filho, deputado estadual em terceiro mandato no Paraná. “O Lula era a única opção para o Brasil na última eleição.” Tendo o ex-governador como cabo eleitoral, o petista recebeu no segundo turno 2,5 milhões de votos no estado (Bolsonaro teve 4,2 milhões).

Requião talvez esperasse, por isso, maiores gestos de gratidão. Sua desfiliação precoce pegou muitos petistas de surpresa. “Eu não esperava. De verdade”, diz Arilson Chiorato, deputado estadual e presidente do PT no Paraná. Ele conta que soube da notícia por telefone, quando um secretário do partido ligou para ele para dizer que tinha acabado de receber a carta de desfiliação. “Eu respeito a história dele, temos uma convivência boa… Recebi isso com tristeza.”

Chiorato lamenta, mas não critica a decisão do ex-governador. É raro ouvir críticas – em parte porque Requião é um cânone da esquerda paranaense, mas também porque poucos querem se indispor com ele. A piauí buscou ouvir velhos emedebistas que o conhecem bem: o ex-presidente Michel Temer, o ex-senador e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo, e o senador Renan Calheiros. (*) Todos recusaram pedidos de entrevista.

Sob condição de anonimato, dois integrantes do PT reclamam que Requião é “intransigente” e “meio ultrapassado”. “É um quadro importante, com história, mas que não sabe ser confrontado. Não aceita o contraditório. É como um trator, que passa por cima”, definiu um petista. “Apesar de sua importância, que é inegável, o Requião fica com essa cantilena nacionalista, que não tem muito – ou nada – a ver com o Brasil de hoje”, lamentou outro.

Chiorato contemporiza. “As críticas que o Requião faz, as coisas que ele está falando hoje, são pontos que ele sempre defendeu. É coerente com a história dele.” O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) vai na mesma linha do colega. “O Requião governou [o Paraná] com PT e PSDB juntos. A Assembleia Legislativa naquela época era, em sua maior parte, de direita, mas ele sempre conseguiu formar maioria. Quem é ‘intransigente’ não consegue fazer isso.”

Em janeiro de 2023, Roberto Requião recebeu um telefonema de Lula. O presidente recém-empossado disse que gostaria de conversar com ele, em Brasília, para discutir políticas voltadas ao Paraná. “Diga quando”, respondeu prontamente o ex-governador. Lula não cravou uma data; ficou de marcar. O encontro nunca aconteceu, e os dois não voltaram a se falar.

Dias depois, Gleisi Hoffmann o procurou. Segundo Requião, a presidente do PT lhe ofereceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Itaipu Binacional, empresa que gere a usina hidrelétrica de Itaipu. O salário era de 27 mil reais. “Eu mandei à puta que o pariu”, relembra Requião. “Eu quero ver o país transformado. Eu não tô atrás de emprego, rapaz.”

O ex-governador recorre a esses dois episódios para explicar como começou seu amargor com o PT, que culminou em sua desfiliação, no último dia 27 de março. Sentiu-se destratado. Mas o que fez o pote de mágoas entornar foi uma discordância de ordem mais prática. Requião, ao lado de outros petistas paranaenses, defendia que o partido lançasse candidato a prefeito de Curitiba nas eleições de outubro deste ano. Os deputados federais Zeca Dirceu e Carol Dartora, assim como o advogado Felipe Mongruel, conhecido como Magal, manifestaram interesse na disputa.

Outra ala do PT, no entanto, quer apoiar Luciano Ducci (PSB), deputado federal que foi vice-prefeito de Beto Richa (PSDB) e assumiu o comando da cidade em 2010. Em março, a Executiva Nacional do PT informou os paranaenses que a decisão sobre a eleição em Curitiba seria tomada pelo diretório nacional. Hoffmann disse à imprensa, na mesma semana, que o mais provável era que o partido apoiasse Ducci. O ex-prefeito aparece bem colocado em pesquisas recentes, ela argumentou – e, além do mais, foi “um pedido do PSB Nacional”.

O martelo ainda não foi batido. Segundo petistas ouvidos pela piauí, contudo, o apoio a Ducci é quase certo. Combinam-se apenas os pormenores. A cúpula do PT provavelmente calcula que as chances de eleger um petista em Curitiba, berço da Operação Lava Jato, são mínimas.

Requião achou que a decisão da Executiva Nacional era um acinte. Inconformado, anunciou que estava de saída do PT – partido ao qual se filiara havia dois anos, depois de quatro décadas no MDB. Dias mais tarde, causou surpresa geral ao se filiar ao Mobilização Nacional (Mobiliza), partido nanico que até 2021 se chamava PMN e se identifica com o ideário da centro-direita.

Requião diz que nunca impôs ao PT sua candidatura a prefeito de Curitiba. Desconversa quando questionado. Mas, tão logo se alojou no novo partido, se colocou como possível candidato. “O Mobiliza é um partido pequeníssimo. Não tem fundo partidário nem espaço em televisão”, reconhece o ex-governador, que conta ter esperado – em vão – o convite de legendas mais estruturadas e de centro-esquerda, como o PDT. “Queriam me cancelar como político. Se eu não me filiasse, teriam conseguido. Mas não me enterraram. Nem eu, nem minhas ideias.”

Junto às frustrações pessoais, afloraram críticas ao governo Lula. Ao receber a piauí em sua casa em Curitiba, no começo de abril, Requião, um nacionalista puro-sangue, reclamou da gestão da Petrobras, defendeu a reestatização da Eletrobras (privatizada no governo de Jair Bolsonaro) e se disse muito irritado com as concessões do governo à agenda liberal. “O [ministro Fernando] Haddad é incapaz de comprar um hambúrguer com dinheiro público. É um cara sério. Mas é liberal. Saiu da USP e foi trabalhar com o [economista] Marcos Lisboa, no Insper. A cabeça dele é essa. Tá errado!”, reclamou o ex-governador. “O mercado acha uma maravilha…”

Lula não tem sequer um ministro progressista, cravou Requião. Mas e Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial? “Nem sei quem é Anielle Franco”, respondeu, emendando: “Ah, a irmã da Marielle? Você tá brincando. Ela não tem estrutura de pensamento econômico para um projeto nacional. Tá no identitarismo. O identitarismo é um atraso.” Depois contemporizou: discussões sobre raça e gênero são importantes, disse, mas não podem ser impostas “por decreto”.

Uma das mágoas mais recentes é com José Dirceu. Estranhou-se com o ex-todo-poderoso petista durante a campanha, em 2022. Requião foi candidato a governador em oposição a Ratinho Junior (PSD). Terminou em segundo lugar, com 1,6 milhão de votos; Junior se reelegeu em primeiro turno com 4,2 milhões. A vitória do adversário era tão previsível que parte do PT, já pensando no dia seguinte à eleição, se aproximou de Junior, que é filho do apresentador de tevê Ratinho. Requião atribui essa aproximação a Dirceu. “O Dirceu almoçou comigo e jantou com o Ratinho [Jr.]”, lamenta o ex-governador. “Nunca mais falei com ele.”

Gleisi Hoffmann, sua conterrânea, publicou uma nota lamentando a desfiliação de Requião, mas também as “críticas injustas” que ele fez ao governo Lula. Procurada pela piauí para comentar as declarações do ex-governador e a suposta vaga na Itaipu Binacional, ela não respondeu. Fernando Haddad e José Dirceu também não retornaram os contatos da reportagem.

Aos 83 anos, Requião passa a maior parte do tempo em casa, no bairro Bigorrilho, em Curitiba, onde mora com a mulher, Maristela, e dois cães da raça maremano abruzzi – eles foram presente de Carlos Lessa e Darc Costa, ex-presidente e ex-vice presidente do BNDES. O ex-governador conversa em tom professoral, com voz grave e sotaque carregado. Apesar do diploma em jornalismo, não é afável com repórteres. Certa vez, em 2011, arrancou o gravador das mãos de um jornalista da Rádio Bandeirantes e apagou a entrevista que concedera a ele.

Ao receber a piauí, aparentava bom humor. “Maristela, esse é o bandido que veio me entrevistar”, disse, em tom de galhofa, quando a mulher chegou em casa. Fez outras provocações. “Você é filiado ao PT?”, perguntou ao repórter, no meio da conversa. Diante da negativa, replicou: “Essa revista sua é petista.” Por que acha isso? “Porque não sou idiota.”

Requião é curitibano e se orgulha do fato de sua família ter raízes antigas na política. Gosta de contar que seu bisavô, Justiniano de Mello e Silva, foi um dos fundadores do Partido Socialista Operário do Brasil, em 1890. Garante que seu trisavô, José Félix de Mello e Siva, foi lugar-tenente de Frei Caneca, mártir da Confederação do Equador – república separatista fundada em Pernambuco em 1824 e desmantelada pelo Império depois de alguns meses.

Quando cursava o ensino médio – antigo colegial –, Requião se aproximou do movimento estudantil. Continuou na militância como universitário (ele se formou em jornalismo) e, durante a ditadura, chegou a ser preso e fichado pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), que o categorizou como “comunista”, com “tendência esquerdista” e apoiador de greves.

Defendendo o “MDB velho de guerra” – como repetia nas campanhas, feito um bordão – foi eleito deputado estadual e prefeito de Curitiba ainda nos anos 1980. Depois foi governador (por três mandatos) e senador (por dois). Sua última passagem por Brasília terminou em 2019. Não conseguiu se reeleger para o Senado e, desde então, não voltou a ocupar um cargo público.

Deixou o MDB em 2021, depois de ser derrotado na disputa pelo comando do partido no Paraná. “Era um partido progressista que, com o tempo e com as mudanças na política, se transformou num mercado. Quando eu saí, estava apoiando o Bolsonaro. Eu não podia aceitar isso.” O convite do PT veio naturalmente, pouco tempo depois. Requião sempre esteve à esquerda das posições majoritárias do MDB. No primeiro governo Lula, criticava a política econômica de Henrique Meirelles e Antônio Palocci. Depois, contrariando a maioria de seu partido, que se entregou ao conspiracionismo, Requião foi contra o impeachment de Dilma Rousseff. Visitou Lula quando o petista esteve preso em Curitiba, entre 2018 e 2019, e frequentou a Vigília Lula Livre. Fez sucesso uma de suas declarações na época: “Lula é culpado pela sua inocência.”

Em 2022, entrou para o PT com deferências. A cerimônia de filiação foi um evento político disputado, que reuniu centenas de correligionários em Curitiba, em março daquele ano. O próprio Lula compareceu – foi sua primeira visita à capital paranaense desde que deixou a carceragem da Polícia Federal. No ato de filiação, além de enaltecer o novo quadro do partido, ele mencionou “puxões de orelha” que tinha levado de Requião (segundo o ex-governador, eram apenas discordâncias sobre como o petista, caso eleito, deveria conduzir as empresas estatais).

“Eu não ia entrar no partido. Mas o pessoal insistiu, o Lula acabou conversando comigo e veio fazer a minha filiação”, diz Requião, que se filiou junto de seu filho Maurício Thadeu – mais conhecido como Requião Filho, deputado estadual em terceiro mandato no Paraná. “O Lula era a única opção para o Brasil na última eleição.” Tendo o ex-governador como cabo eleitoral, o petista recebeu no segundo turno 2,5 milhões de votos no estado (Bolsonaro teve 4,2 milhões).

Requião talvez esperasse, por isso, maiores gestos de gratidão. Sua desfiliação precoce pegou muitos petistas de surpresa. “Eu não esperava. De verdade”, diz Arilson Chiorato, deputado estadual e presidente do PT no Paraná. Ele conta que soube da notícia por telefone, quando um secretário do partido ligou para ele para dizer que tinha acabado de receber a carta de desfiliação. “Eu respeito a história dele, temos uma convivência boa… Recebi isso com tristeza.”

Chiorato lamenta, mas não critica a decisão do ex-governador. É raro ouvir críticas – em parte porque Requião é um cânone da esquerda paranaense, mas também porque poucos querem se indispor com ele. A piauí buscou ouvir velhos emedebistas que o conhecem bem: o ex-presidente Michel Temer, o ex-senador e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo, e o senador Renan Calheiros. Todos recusaram pedidos de entrevista.

Sob condição de anonimato, dois integrantes do PT reclamam que Requião é “intransigente” e “meio ultrapassado”. “É um quadro importante, com história, mas que não sabe ser confrontado. Não aceita o contraditório. É como um trator, que passa por cima”, definiu um petista. “Apesar de sua importância, que é inegável, o Requião fica com essa cantilena nacionalista, que não tem muito – ou nada – a ver com o Brasil de hoje”, lamentou outro.

Chiorato contemporiza. “As críticas que o Requião faz, as coisas que ele está falando hoje, são pontos que ele sempre defendeu. É coerente com a história dele.” O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) vai na mesma linha do colega. “O Requião governou [o Paraná] com PT e PSDB juntos. A Assembleia Legislativa naquela época era, em sua maior parte, de direita, mas ele sempre conseguiu formar maioria. Quem é ‘intransigente’ não consegue fazer isso.”

Zeca Dirceu, filho de José Dirceu, foi um dos poucos petistas de relevo que reagiram à desfiliação do ex-governador. Nas redes sociais, tentou alavancar uma campanha pela sua permanência, publicando a hashtag #FicaRequiao. O movimento não ganhou tração.

Desde que deixou o PT, Requião tem passado os dias militando virtualmente (em blogs e redes sociais) e estudando, principalmente por meio de vídeos na internet (a vista cansada dificulta a leitura). Diz não se preocupar com o bolsonarismo e com a extrema direita no Brasil. Fiel a uma visão estritamente materialista do mundo, acredita que Bolsonaro foi “fabricado pelo capital financeiro” e que “o presidente, mesmo, foi o Guedes” – referindo-se ao ex-ministro da Economia. Acrescenta que, para todos os feitos, o ex-presidente está inelegível e virtualmente liquidado. E Michelle Bolsonaro? “Ela pode ser fabricada, também, mas você já pensou a Michelle discutindo economia? Vai arranjar outro Guedes e dizer que é o Posto Atlantic?”

Requião não sabe bem que futuro lhe aguarda nas fileiras do Mobiliza – partido que não tem nenhum deputado federal, nenhum senador e nenhum governador. Ao ser perguntado sobre isso, responde com um clichê: “Vou continuar fazendo política. Sou um animal político.”

Requião Filho, por sua vez, deve seguir o caminho do pai. Ainda não se desfiliou do PT formalmente – só “de espírito”, diz. À piauí, explicou que teme perder o mandato de deputado estadual caso saia do partido neste momento. Mas a separação, garantiu, é só questão de tempo. “É impossível estar ao lado de quem manda no PT Nacional.”

Felippe Aníbal - É jornalista radicado em Curitiba. Autor do livro Waltel Branco - O maestro oculto (Banquinho Publicações).

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