A primeira exibição do clipe elaborado para a campanha foi dia 24 de maio, às 11h, no YouTube da Tribo da Periferia
Uma mulher ferida corre entre os carros. Pessoas dentro do carro estão usando vendas. A Comissão de Prevenção e Combate ao Feminicídio do MPDFT realizou parceria com a banda de rap Tribo da Periferia para a conscientização sobre violência contra a mulher.
Com música e videoclipe inéditos, o lançamento da campanha “Violência contra a mulher não é normal – abra os olhos, sua atitude pode mudar o final” foi na sexta-feira, 24 de abril, às 11h, no canal do YouTube da Tribo.
Na Sede do MPDFT, também no mesmo dia, às 11h, foi realizada uma solenidade que marcou a inauguração da campanha. A iniciativa tem como parceiro o Fórum Brasileiro de Segurança Pública - parceria inédita une conscientização e música - com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.
A atriz Juliana Paes é madrinha da campanha e Defensora para a Prevenção e Eliminação da Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres Brasil.
Para a coordenadora da Comissão, promotora de justiça Fabiana Costa, “a parceria é estratégica para atingir um público amplo e diverso, em especial a população jovem, promovendo a discussão do problema por meio da expressão artística”.
Fabiana Costa, disse, em entrevista, que a campanha foi idealizada a partir da necessidade de sensibilizar a sociedade para lutar contra violência doméstica.
“A cultura chega às pessoas de outra forma, porque estamos falando de um tema muito sensível, estamos falando de relações interpessoais, de afeto, de um marido, de um ex-companheiro”, enfatizou Fabiana.
Assista à entrevista:
O procurador-geral de justiça, Georges Seigneur, enfatiza o papel do Ministério Público no enfrentamento a esse tipo de crime. "A violência doméstica precisa ser denunciada. O Ministério Público está aberto para receber a vítima, para que ela se sinta acolhida e saiba que aqui tem um parceiro com quem pode contar", afirmou.
Para Seigneur, o acolhimento da vítima de violência doméstica é essencial para evitar a reincidência e o feminicídio. “Quando a gente fala de feminicídio, a gente fala de crime, muitas vezes, envolvendo de pessoas que têm relacionamento. Isso cria barreiras e dificulta que a vítima procure o sistema de Justiça como um todo”, pontuou.
A parceria foi firmada por meio de edital de chamamento público para a seleção de projetos com o tema prevenção e combate ao feminicídio.
O compositor da música, Luiz Fernando Correia da Silva, mais conhecido como Duckjay, afirma que o rap sempre foi uma arma para lutar contra as mazelas sociais. "Não existe ninguém melhor para conversar com a comunidade do que o rap. Acredito que nenhum outro estilo de música poderia ter tamanha liberdade para falar sobre um assunto como esse. Vamos nos juntar, denunciar e divulgar essa força contra o feminicídio e a violência doméstica para criarmos um mundo melhor para nossas mulheres, filhos e família. Não só nas periferias, mas em todo país, pois este é um crime sem raça, credo e classe social, que atinge todas as esferas da nossa sociedade”, conclui Duckjay.
Números preocupantes
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) demonstram que, no ano de 2023, 1.463 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, ou seja, uma taxa de 1,4 mulheres mortas para cada grupo de 100 mil pessoas. É o maior número já registrado desde a tipificação do feminicídio em lei. Nesse cenário, o Distrito Federal aparece em terceiro lugar com maior número de feminicídios. No DF, a taxa foi de 2,3 por 100 mil mulheres. Houve um aumento de 78,9% entre 2022 e 2023. O total de mulheres mortas por razões de gênero passou de 19 vítimas, em 2022, para 34 vítimas no ano passado.
“O feminicídio é a evidência mais cabal e é uma violência evitável, uma vez que, antes da violência letal, muito provavelmente outros tipos de violência já aconteceram, como ameaças, violência física ou psicológica. A campanha é fundamental, pois alerta a população para esse problema tão grave e para a importância de tirarmos as vendas dos olhos e nos posicionarmos em defesa das mulheres que estão em situação de violência", avalia a coordenadora institucional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Martins.
Segundo o relatório “Feminicídios em 2023”, do FBSP, os dados apresentados apontam para o contínuo crescimento da violência baseada em gênero no Brasil, do qual o feminicídio é um indicador fundamental.
A Tribo
Há 26 anos na estrada, a Tribo da Periferia é um dos grandes nomes do cenário do rap e hip hop nacional, com mais de 8,9 milhões de inscritos no canal oficial do YouTube e mais de 3,4 bilhões de visualizações na plataforma, algo inédito para artistas do rap e hip-hop no Brasil.
Na plataforma de áudio Spotify, são mais de 3,2 milhões de ouvintes mensais, 2.2 milhões de seguidores no Instagram e 5 milhões no Facebook.
A história da Tribo da Periferia nasceu nas raízes do Distrito Federal, em 1998, quando Duckjay compôs sua primeira letra musical. Desde então, a Tribo foi tomando novas formas e ganhando novos protagonistas, como Look (Nelcivando Lustosa Rodrigues), que desde 2016 segue ao lado de Duckjay conectando cada vez mais pessoas.
A violência contra a mulher não é normal. Abra os olhos! Sua atitude pode mudar o final.
Compositor: @duckjayreal
Produção Musical, Mix e Master: @duckjayreal
“O CRAVO E A FLOR” (Letra) | (Tribo da Periferia)
Mais uma vez o cravo e a flor
Romantizaram toda essa ilusão
Normalizaram o ódio e a dor
É que misturaram a covardia com a decepção
E não tem endereço seja aonde for
Não importa sua classe
Seu credo
Sua cor
Desculpa aí, mas alguém me explique
Por favor!
Como diz que ama, mas mata quem ama por amor?
É como se não houvesse
Como se ninguém soubesse
Como se fosse algo normal
Como se não existisse
Enquanto os sonhos perecem
Todos se calam perante esse mal
Vários sonhos, 26 anos de idade
Duas filhas pra criar e uma vida pela frente
Me lamentando, narrando essa homenagem
Sentindo que o fim de tudo podia ser diferente
Infelizmente os heróis se tornam vilões
São ações que superam todas as decepções
Matar quem ama é como assassinar a própria mãe
Eu classifico assim como a pior das traições
Como é que pode achar normal?
De um lado a pura sensibilidade emocional
Do outro lado tem o homem bom e o homem mal
Geralmente o do mal vem sempre disfarçado de legal
A maldade às vezes cê percebe tarde
E tudo começa com beijo
Amor confunde ao ódio
Se torna saudade
É que a maldade às vezes cê percebe tarde
E tudo começa com beijo
Amor confunde ao ódio
Só resta saudade
E nos versos tristes dessa poesia
Eu trago a voz de todas as Marias
De todas as mulheres
Que tiveram seu destino roubado
Pelo feminicídio
É como se não houvesse
Como se ninguém soubesse
Como se fosse algo normal
Como se não existisse
Enquanto os sonhos perecem
Todos se calam perante esse mal