Fazendo uma analogia à área da saúde, temos técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos, cada um com a sua atribuição, ou seja, o técnico de enfermagem auxilia ao enfermeiro e o enfermeiro auxilia o médico. Todos os envolvidos têm funções relevantes para que consigam alcançar o objetivo, o qual é, salvar o paciente.
O técnico em enfermagem, como próprio nome diz, é um trabalhador na área da saúde, de nível técnico (médio), já o enfermeiro possui nível superior, assim como os médicos. Entende-se, contudo, por exercer a função mais complexa e ser o detentor do procedimento, o médico recebe um salário superior aos demais envolvidos. Ressalte-se entretanto, que há a mais perfeita harmonia e respeito na relação de trabalho desses profissionais, enfermeiro não quer ser médico, e nem médico quer ser enfermeiro. Para um procedimento cirúrgico lograr êxito, há a necessidade de perfeita harmonia no trabalho, onde o senso de responsabilidade e profissionalismo de todos os profissionais, necessita da mais extrema perfeição.
Na atividade policial temos também três profissionais de extrema necessidade para executar com perfeição o difícil trabalho de "operar" em uma investigação, descobrindo e desvendando um crime, buscando a autoria e a materialidade, bem similar com a atividade médica, onde é necessário descobrir a doença e se possível curá-la.
Neste ponto nevrálgico, refiro-me, no exato momento de exercer a atividade policial, é que tudo desanda, pois diferente do procedimento médico, onde cada um exerce a sua atividade de competência, sem invadir os limites de competência de seus pares, e respeitando o profissional, na polícia o que vemos é escrivães desempenhando o papel de delegado, investigador querendo ser delegado, e delegado querendo ser juiz, um verdadeiro "samba do crioulo doido". Só resta uma pergunta: Pode isto dá certo? Teremos uma operação bem sucedida? A resposta é clara, simples e evidente, lógico que não.
Aprendi ao longo da minha vida que aonde se chega com um problema, se apresenta uma solução, e neste sentido, a solução para polícia começar a dar certo, primordialmente é necessário o respeito entre os pares, depois, assim como os médicos reconhecem o trabalho dos enfermeiros, e técnicos em enfermagem, os delegados devem reconhecer e respeitar o trabalho dos investigadores e escrivães, como sendo seus colegas de trabalho, todos necessariamente formados, com nível superior (edital do concurso), e que desenvolvem uma atividade de extrema complexidade, que é colheita de provas, busca de identificação de autores, e todo um trabalho investigativo, entendendo assim que esta fase persecutória é essencial para obtermos um eficiente trabalho, culminando com a elucidação de um delito. Saliente-se que sem este essencial trabalho, jamais a atividade policial de um delegado de polícia, teria razão e significado para sua existência.
Portanto, vê-se que há a necessidade de buscar o amadurecimento de toda a categoria policial, conscientizando cada um dos envolvidos, para que reflitam e vejam a relação de interdependência que existe na função, e que médico sozinho não opera, assim como delegado sozinho não investiga.
Bel Luiz Carlos Ferreira de Souza - Brasileiro, baiano, casado, 61 anos, servidor público aposentado pelo estado da Bahia, atualmente reside no estado do Rio Grande do Sul, com formação técnica em redator auxiliar, acadêmico em História, Direito, pós-graduado em Ciências Criminais, política e estratégia e mestrando em políticas públicas.
Contato: lcfsferreira@gmail.com
facebook.com/LcfsFerreira
Coluna Luiz Carlos Ferreira/PÁGINA DE POLÍCIA, acesse e acompanhe suas últimas publicações: